Em novembro de 2025, uma entrevista marcante à Rádio Eldorado trouxe à tona a realidade nua e crua do mercado de trabalho brasileiro. Fernando Soares, então Gerente de Projetos, Operações e Dados do Movimento pela Equidade Racial (MOVER), analisou dados alarmantes sobre o abismo que ainda separa profissionais negros e brancos no país.
Com base em levantamentos do Cedra e dados da PNAD/IBGE, a análise destacou que a renda média de pessoas negras entre 2012 e 2023 correspondeu a apenas 58,3% da renda de pessoas brancas. Mais do que a desigualdade salarial, o estudo apontou uma barreira de vidro quase intransponível: apenas um em cada 48 trabalhadores negros ocupava cargos de liderança na época.
Fernando Soares foi enfático ao apontar que a responsabilidade não reside na falta de talentos, mas sim nas estruturas corporativas: “Se temos 56% da população brasileira negra e não encontramos ninguém para assumir um cargo de liderança, o problema está no processo das empresas”, afirmou. Essa reflexão reforçou, naquele momento, a missão do MOVER de não apenas capacitar, mas de transformar os processos seletivos e a cultura interna das suas 60 empresas associadas para gerar mudanças estruturais reais.
Relembre esta análise fundamental para compreender por que a luta pela equidade racial exige um olhar profundo sobre os processos de decisão nas organizações.





